abr 26, 2017 | Por Mandy em Series

4 pontos positivos e 4 negativos de Girlboss, a nova série da Netflix

O último domingo estava em condições perfeitas de temperatura, pressão, pipoca e edredom para uma maratona de Netflix. Aproveitei para devorar Girlboss, que estreou no último dia 21, de uma vez só. Ao longo dos 13 episódios, vários pensamentos vieram na minha cabeça. Gostava de algumas coisas e outras me incomodavam. Acho que se essa série tivesse sido lançada 5 anos atrás, provavelmente eu teria adorado e não teria implicado com várias coisas.

Bom, vamos lá. Começando pelos negativos:

A veneração de pessoas idiotas: Eu li o livro e achei que a série pintou uma imagem mais negativa de Sophia. É claro que existem alguns exageros porque é uma interpretação livre para a TV mas, de qualquer forma, é sabido (e ela mesma conta no livro), que roubou diversas vezes e isso passa quase como uma coisa ‘normal’ na série. Do sanduíche da sua chefe ao tapete que estava exposto na calçada, Sophia é vista apenas como uma rebelde sem causa. Isso sem contar outras atitudes bem babacas da personagem, como não se importar com os outros, desrespeitar o trabalho alheio, passar por cima das pessoas e achar que ela pode fazer o que bem entender e f*da-se. E isso é visto como cool. Fico pensando se fosse uma menina negra e pobre se isso aconteceria …

Não é uma série feminista: A série tenta e se vende como, mas não é isso que reflete. Tem algumas falas clichês meio forçadas que não colam. Além disso, a feminista que aborda Sophia e Shane na rua é retratada como se fosse uma descontrolada maluca – e ela ainda é ridicularizada pelo casal. Sophia é extremamente egoísta, passa por cima das pessoas, independentemente de serem mulheres ou não. Cadê empatia? Se vender como empoderadora e colocar um ‘boss’ no nome não faz da série feminista, a meu ver.

A ‘maquiagem’ das histórias reais: Sei que a série já estava em produção há um tempo, antes da Nasty Gal declarar falência, mas vários problemas já rolavam na empresa nos últimos anos. A Nasty Gal possui vários processos nas costas, incluindo trabalhistas (muitos por más condições no trabalho e discriminação), abusos, propriedade intelectual (aka cópias), etc.

Mundo de aparências: Sophia é considerada uma das únicas mulheres ricas dos Estados Unidos que construíram sua fortuna sozinha. Não vou entrar na questão de ‘meritocracia’, até porque acho que ela não chegou lá de uma forma completamente honesta e ela vem de outro contexto socioeconômico. Fato é que mesmo tendo para onde fugir se nada desse certo (o que é um privilégio, convenhamos), ela optou por não depender do pai e seguiu o sonho de abrir seu próprio negócio. Sua história pode realmente inspirar muitas meninas. A Nasty Gal virou desejo de muitas e passou a vender não apenas roupas, mas uma história, principalmente depois do lançamento do livro. Mas com tantos problemas no decorrer da construção da marca e com tudo que tem acontecido nos últimos anos, quem acompanha meio de fora deve achar que é tudo um mar de rosas e que a marca vai muito bem, obrigada. E isso acaba acontecendo demais por aí, né? Ainda mais nesse mundo online…

PONTOS POSITIVOS:

Apesar dos pontos acima, Girlboss é uma série leve, com episódios de 20 e poucos minutos pra assistir quando se está de bobeira – ou num domingo chuvoso, rs. Agora vamos pro que a série tem de melhor:

A trilha sonora: Uma das melhores coisas da série, sem dúvidas! Terminei querendo achar a playlist no Spotify, rs. Tão boa quanto a de Stranger Things. Volta e meia me via balançando a cabeça ‘dançando’ com alguma música. Tem Yeah, Yeah, Yeahs, Nelly, Black Kids,… Vale a pena dar o play! ♫

RuPaul: Na primeira vez que ele apareceu eu pensei: “Não acredito!”. Aí fui dar um Google pra checar se era mesmo. Ele está maravilhoso como o vizinho de Sophia e aparece em vários momentos!

O figurino (e a direção de arte/fotografia): É claro! E por alguns momentos a gente até esquece que a série não se passa nos anos 70, até por conta dos cenários também. São tantas referências da década… Não é à toa que a marca começou sendo “Nasty Gal Vintage”. E sonho com essa jaqueta colorida até hoje. ❤️

Mulheres como protagonistas: Sendo ou não uma série feminista, é sempre bacana ver mulheres como protagonistas. Ok, tem o Shane, que é uma graça, mas ele é tão songo-mongo que nem conta, rs… E a Britt Robertson está ótima como Sophia! Bem parecida fisicamente em alguns momentos, inclusive.

***

Tenho um certo receio e medo de que essa seja uma referência idolatrada para meninas mais novas porque vejo problemas em como a Nasty Gal surgiu e se sustentou. Essa premissa do sucesso a qualquer custo é perigosa e pode ser bem antiética. Ao mesmo tempo, acho super bacana uma mulher construir um império do zero e tão nova, aos 23 anos, e isso inspira muitas meninas. Já fui em duas palestras da Sophia Amoruso na época em que morava em NY e é absurda a quantidade de garotas (de todos os tipos) que se fascinam com a sua história. Sophia lançou uma nova empresa, também chamada Girlboss, que ajuda novas empreendedoras e, inclusive, já deu mais de 100 mil dólares em bolsas de estudo para meninas nas áreas de design, moda, música e artes.

Isso tudo pode inspirar? Claro que pode! Mas também é meio frustrante. Vivemos em uma geração que acredita que temos que chegar aos 30 com toda a vida resolvida, um case de sucesso embaixo do braço e uma conta bancária com vários dígitos azuis no fim do mês. E nem sempre isso acontece – ou tem que acontecer. O grande sucesso da Nasty Gal aconteceu relativamente rápido e isso é uma exceção. Não pode virar regra, nem exemplo.

***

Vale a pena assistir?! Vale. Tanto pelos pontos positivos, quanto pelas reflexões. Quero a opinião de vocês sobre a série. Gostaram?!

Beijos,
Mandy

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Comentários
  1. Agatha • abr 26, 2017 - 16:11

    Concordo com tudo o que vc disse Mandy, comecei a assistir a série, mas parei pq não aguentei, a personagem da Sophia é super dramática, do tipo que não se importa com ninguém a não ser ela mesma, e têm uns princípios que não acho legal.
    Já ouvi muita coisa sobre a Sophia Amoruso, mas depois da série fiquei com uma imagem bem ruim dela.

    • Mandy • maio 05, 2017 - 20:51

      Pois é, Agatha! Fiquei passada com a forma como ela trata a Annie também. É uma relação de amizade totalmente abusiva.

  2. Ana Vitória • abr 26, 2017 - 21:25

    Amei seu post, principalmente a reflexão do final!
    Pra mim o problema maior é o fato de ela começar sem plano nenhum e só surfar na onda…. acho que desvaloriza o empreendedor… nao acho que ela temha chegado onde chegou tao desorganizada mas ao mesmo tempo vemos a razão de a empresa não durar….
    Enfim en

  3. Ana Vitória • abr 26, 2017 - 21:27

    Espero que a galera tenha realmente uma visão crítica, tipo dá pra tirar coisas boas mas não é refeita pra sucesso nem pra falar que é assim que alguém deve se comportar
    Beijos Mandy!!!

    • Mandy • maio 05, 2017 - 20:50

      Oi, Ana! Exatamente! Meu medo é virar exemplo e referência. Receita de bolo, ainda mais essa cheia de atitudes antiéticas e babacas, não rola!
      Beijos!!

  4. Juliana • abr 26, 2017 - 23:39

    Adorei o post Amanda!
    Somente consegui assistir até o terceiro episódio.
    Achei a personagem da Sophia muito babaca. (Foi a melhor palavra que encontrei para me expressar)

    Gostei bastante do livro mas não fui cativada pela série. : /

    Beijoooo

  5. Paula • abr 27, 2017 - 15:31

    Achei o seu último parágrafo o melhor, pois me identifiquei muito. Acho que a mídia sustenta muito essa ideia de que uma pessoa aos 30 deve estar bem resolvida em todos os aspectos, e isso acaba frustrando as pessoas. Eu sou um exemplo clássico. Faço 32 na semana que vem, e desde os 30 sofro de depressão. Cheguei a conclusão de que minha depressão se deve ao fato de achar que passaram-se 30 anos e não fiz nada importante de fato na vida. Estou trabalhando isso em mim com psicologa e psiquiatra. Mas sinceramente, acho que se não fosse tão influenciada pela mídia e pela cobrança da sociedade, nada disso estaria acontecendo. Adorei o post! Bjss

    • Mandy • maio 05, 2017 - 20:43

      Oi, Paula! Exato, as pessoas se cobram demais e a mídia só fortalece esse pensamento.
      Sem contar que ela foi uma exceção e não chegou lá da forma mais ética, né… tanto que a marca está falindo agora.
      Que bom que gostou do post! :)
      Beijos!

  6. Letícia • maio 03, 2017 - 17:35

    Gostei muito do post! Bateu com muita coisa que também achei sobre a série. Li o livro pra poder ver a série. Foi muito difícil passar do primeiro episódio, mas forcei e comecei achar a série satisfatória. A empolgação da Sophia pra fazer o negócio dela dar certo na série dá uma inspiração/energia muito boa. Fora isso, prefiro saber das histórias dela lendo no livro.

  7. Natália • maio 05, 2017 - 09:43

    Apesar de toda imaturidade e falta de empatia da personagem, acho que ainda assim é possível tirar grandes lições dessa série! Eu assisti e me identifiquei em diversos pontos com Sophia!

    http://nataliasemh.com/

  8. Patricia Moura • maio 09, 2017 - 18:31

    To doida para assistir essa serie!

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