A GERAÇÃO INSTAGRAM!

Já ouviu falar da “Geração Instagram”?

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Lembram que no início do mês eu fui convidada pela revista Cosmopolitan para participar de um evento que aconteceu durante um final de semana aqui em NY? O evento foi super legal e contou com palestras e debates de gente muito bacana, como Kelly Osbourne, Shay Mitchell, Chrissy Teigen, Aliza Licht (aka DKNY Pr Girl), Sophia Amoruso (dona da Nasty Gal e autora de #GirlBoss), e mais gente bacana. Postei tudo lá no nosso Instagram e, finalmente, depois de algumas semanas, vou trazer um dos tópicos para cá.

Uma das palestras que mais me deixou pensando depois foi a de Jason Silva, apresentador do Brain Game, do National Geographic Channel e cineasta que filosofa sobre o surgimento da vida, a evolução da inteligência e o avanço tecnológico. Durante o discurso ele tocou em um ponto que eu não tinha pensado até então.

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Existem muitos debates sobre aproveitar o momento e deixar o celular de lado, de curtir a vida sem precisar expor tudo no Instagram e no Facebook. As midias sociais têm um peso indiscutível no nosso cotidiano, mas nunca tinha parado para pensar nesse outro lado. Vale assistir o vídeo sobre a nossa “Geração Instagram”, baseado no pensamento de Daniel Kahneman, psicólogo e vendedor do prêmio nobel, em uma TED talk.

Apesar do jeito meio exagerado dele falar, vale apertar o play e pensar um pouquinho sobre o assunto.

Mais do que a ideia de viver e mostrar, achei interessante a visão de viver e registrar. A gente agora vive o presente e também a expectativa de memória do futuro, de como a gente vai lembrar de determinado momento nos próximos meses ou anos. Estamos fazendo uma curadoria das nossas memórias posteriores e vivendo o presente ao mesmo tempo. É claro que isso pode ter pontos positivos e negativos, mas achei interessante trazer esse outro lado para uma discussão, já que é uma realidade da nossa geração.

Jason vê o registro desses momentos de forma positiva, como uma solução para o quão efêmero é o presente. Essa seria então uma forma das pessoas saberem lidar com isso e cultivarem a memória. Por outro lado, existe a preocupação de aproveitar 100% os momentos e das memórias estarem ligadas à experiências. Talvez essa mania de registrar tudo o tempo todo pode acabar atrapalhando a curtição do presente. Na verdade, acho que é uma forma interessante de analisar a nossa geração e acho que o equilíbrio entre aproveitar o momento e registrá-lo é interessante.

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Eu mesma me peguei esta semana olhando fotos antigas do nosso Instagram e lembrando de momentos que talvez fossem esquecidos se não tivessem sido registrados anteriormente. Momentos que provavelmente eu não teria registrado com uma máquina fotográfica comum, mas que eu gostei de ter relembrado. Antigamente, sem a tecnologia dos celulares e o compartilhamento de milhares de fotos nas redes sociais, lembrávamos apenas daqueles acontecimentos mais importantes, como aniversários e viagens, por exemplo, mas agora, com o celular na mão, podemos registrar com mais frequência o nosso cotidiano, registrando jantares, encontros com amigos ou um dia em casa com filme na TV. E não é ótimo quando a gente olha essas fotos antigas e lembra desses dias?

Sentimos prazer e nostalgia ao olhar a nossa própria timeline do Facebook e Instagram e rever como construímos a nossa narrativa ao longo do tempo. Aliás, o próprio Facebook sabe disso e cria ferramentas e vídeos que elaboram ainda mais essa narrativa com trilha sonora e frases que organizam a nossa experiência. Normalmente são aqueles “vídeozinhos” que podemos compartilhar com amigos, parentes e namorados. É claro que esses momentos são apenas um lado que divulgamos da nossa vida, mas não deixa de ser uma faceta importante, né? O presente e a expectativa de memória do futuro é quase uma autobiografia contada em tempo real, que vamos construindo aos poucos, com acontecimentos diários.

Achei essa uma leitura poética e mais positiva da nossa geração. Aliás, me lembrou esse vídeo de Mad Men falando sobre nostalgia e o papel da fotografia como registro do tempo. Acho que elevamos isso ao cubo, ao ponto de viver o presente já pensando na construção da memória.

O que acham?

Beijos,
Mandy

6 comentários

  1. Sabe, estava pensando nisso outro dia, sobre fotos e redes sociais… E cheguei à conclusão de que a experiência de morar fora seria completamente diferente se não fosse pela possibilidade de compartilhar quase que ao vivo algumas coisas! E como você diz, tem coisa que a gente não registraria na câmera analógica, e que pela praticidade das câmeras digitais e smartphones são registradas e acabam virando ótimas lembranças de lembranças!

    Sou muito contra quem reclama de que a tecnologia “estragou” o contato entre pessoas!

    Beijinhos!

  2. De certa forma nós já catalogávamos as memórias antes, mas com outras ferramentas: tipo aqueles papéis de bombom e entradas de cinema colados na agenda de quem viveu nos anos 90. A gente guardava o que podia para reviver depois, enquanto escrevia ou relia a agenda.
    Como sou nostálgica, gosto dessas coisas e mantenho meus diários até hoje.

    O que me irrita imensamente são as falsas lembranças das pessoas que não viveram a situação que fotografaram. Eu explico: tente ir à uma exposição e você vai notar a sofreguidão das pessoas em tirarem fotos. Tente ficar admirando uma obra para ver quantos pedidos de licença para a foto vc receberá. E, feita a foto, a pessoa se vira e vai embora. Missão cumprida: tenho a foto e meus amigos sabem que fui ao museo. Mas, de fato, vc aproveitou a exposição ou só incomodou os outros e registrou td rapidamente pra ver depois?

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