A MELHOR TÁTICA CONTRA CANTADAS ATÉ HOJE

Melhor história. Melhor pessoa!

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Li há pouco esta história no Buzzfeed e não consegui parar de rir desde então: uma moça de Belo Horizonte, Débora Adorno, minha mais nova heroína, foi obrigada a recorrer a uma tática inusitada para fugir das cantadas na rua… A careta do dentinho! A coitada estava em uma rua lotada de gente e ambulantes na última sexta-feira e, ao passar, começou a receber muitas cantadas dos homens parados na calçada, além de olhares constrangedores. A situação já insuportável se tornou ainda pior por conta do volume de pessoas na rua, que a impediram de acelerar o ritmo e sair dali. Ou seja, teve que ouvir todas as indecências e palavras de desrespeito calada e quase parada. Até que bolou esta solução maravilhosa:

debora adorno dentinho careta cantadas na rua1

Seria trágico se não fosse cômico e vice-versa, infelizmente! Todos sabem o quanto eu odeio esse tipo de assédio. Recrimino na rua mesmo quando não é comigo. Desde os 13-14 anos eu já andava na rua respondendo pervertido, sem nenhuma finesse. Era libertador xingar essas pessoas inconvenientes e retribuir o constrangimento. Mas eu não sou mais adolescente destemida e hoje eu só coloco um dedinho na boca em sinal de “shhh” porque eu tenho medo da retaliação. Esta semana mesmo li o depoimento de uma menina aqui do Rio que levou um tapa e quase foi atropelada por ter mandado um dedo para o motoqueiro que mexeu com ela.

Apesar de toda a revolta que este tópico desperta em mim, não consegui não rir da história da Débora. Claro que o certo seria ser respeitada, mas achei genial a ideia de fazer a careta do dentinho. Tão simples e tão eficaz! Só imagino a confusão dos homens na rua observando uma mulher fazendo isso. Vou adotar só para ver esta reação! E se funcionar mesmo, podem se preparar para cruzar comigo fazendo a coelha:

Hahahaha… Que sorriso maroto! Obrigada Débora! Já estava quase comprando uma pistola d’água para ensinar um pouquinho de educação aos meninos – Luke Dunphy style:

luke dunphy teaching method

Modern Family <3

Quem quiser ler a história completa, ela própria contou no seu facebook. ;)

Beijos,
Gabi

17 comments

  1. oi gabi, que genial, vou praticar concerteza porque meu olhar fatal (no sentido de estrangular) não funciona mais kk :( poxa
    gabi, conheci seu blog a pouco tempo e amo visitar sempre <3
    gabi me visite também:
    Gilvaniaevans.com

    1. Hahahahahaha… Se funcionasse eu já tinha matado vários só com os olhos!
      Obrigada Gil! <3
      Beijos,
      Gabi

  2. KKK, muito boa! Eu faço sempre de mandar um “olhar 43” totalmente vesga, os caras ficam muito desconcertados…é ótimo! E sem agressividade desnecessária!

    1. Hahahahahahahaha… Porque só cortejam se for do agrado, né?
      Aparece algo que não gostam, viram bons moços.
      Beijos,
      Gabi

  3. Existe uma disparidade entre ser atacada e ser cortejada. De uns tempos para cá, existe um grupinho de “feministas” que cansa e dá preguiça total.Parecem querer mandar no mundo, transformá-lo em sua totalidade. Um assovio, um “Nossa como você é linda, interessante, atraente…”, um “E…lá em casa” ou uma olhada indiscreta, embora sejam abordagens antiquadas, cafonas e indevidas, são totalmente diferentes de abordagens com palavrões de cunho sexual ou de assédio físico. Gostaria de entender qual a dificuldade em se constatar isso. Parece carência e autoestima muito baixa. Aquele tipo de mulher que chega em casa e corre para as redes sociais para contar que foi “constrangida”. Talvez, mesmo que inconscientemente, se sinta desejada e valorizada de alguma forma. O famoso charminho. Abordagens “engraçadinhas” acontecem por parte de ambos. E, pelo que tenho visto, muitas mulheres são praticantes. Não consigo e nunca consegui detectar desrespeito ou agressão nisso. Não é motivo para tanto barulho, para tanto discurso chato. Não gostou, olhe para o homem dos pés a cabeça, faça cara de nojo e siga. Não é fazendo caretas e fingindo ter deficiência física ou intelectual que as coisas se resolverão. Por sinal, esse comportamento beira o preconceito. Como querem ser tratadas como mulheres se agem como garotinhas mimadas, preconceituosas e cheias de querer? O julgamento nesse caso é diferente? Foi agredida verdadeiramente, verbal e/ou fisicamente, filme, vá a delegacia, registre queixa, chame a imprensa, faça acontecer o seu direito. Esse tipo de draminha só desmerece as verdadeiras mulheres. Aquelas que com maturidade, sabem diferenciar piadas e brincadeiras de agressões reais, que merecem ser punidas.

  4. Moça Débora, só porque você não se sente ofendida, não significa que ninguém se sinta, concorda? Além do mais, como já diz o meme “não sou obrigada” – nem a ser tratada como pedaço de carne nem a ser tratada como objeto de “admiração”. Quero ser admirada pelo meu trabalho, pelo meu sucesso, e pela minha dedicação – assim como meu namorado e meus amigos homens são! Por que é tão difícil isso?!

    Além do mais, se uma abordagem é “indevida”, ela já é uma forma de agressão – do espaço pessoal, da possibilidade de ir e vir sem ser constrangida. Se fosse carência e falta de auto-estima, essa mulherada estaria era feliz e contente de ouvir essas barbaridades. É porque a gente finalmente está aprendendo que isso não é charmoso e que não precisamos aturar isso que estamos revidando, que estamos colocando a boca no trombone.

    Preconceituosa está sendo a senhorita, ao falar que existe “mulher de verdade”!

    Gabi, desculpa o desabafo, já falei uma vez que adoro os posts-reflexão de vocês!

    1. Pode desabafar! O espaço está aberto para todas as opiniões… Por mais insanas que sejam, rs.
      Obrigada pela contribuição, inclusive.
      É difícil acreditar que mulheres ainda sejam coniventes com esses comportamentos.
      Beijos,
      Gabi

  5. Moça Juliana, ninguém é obrigada a nada. Inclusive a ser admirada pelo sucesso e dedicação ao trabalho, caso apenas o aspire e não o tenha de fato. Desconheço sua realidade pessoal e profissional. Mas, para mim e para muitas mulheres que conheço e que comigo trabalham, ser reconhecida pelo meu talento nunca foi nada difícil, muito pelo contrário. E minha comparação não é relativa aos homens. Porque, se assim o fosse, estaria colocando-os degraus acima. Estaria dizendo que quero ser igual aos homens. Meu reconhecimento é pelo meu trabalho, não pelo meu órgão genital. Ser ou não indevido é algo de entendimento pessoal, depende da maturidade de quem o analisa. Assim segue a linha de raciocínio sobre constrangimento. Se fosse assim tão igual, opiniões de crianças, adolescentes, adultos e idosos teriam exatamente o mesmo crédito moral e social. Pense em quantas asneiras você pensou e disse na sua infância e adolescência….. Sinto te dizer, mas esse comportamento dessas “feministas” demonstra sim, insegurança, imaturidade e baixa autoestima. O que mais prova isso é exatamente o comportamento que a senhorita Débora teve. O que ela fez mesmo, além de narrar a estória de forma cômica? Se fosse uma mulher, teria simplesmente encarado o fato de forma adulta, fechado a cara e seguido sendo linda e admirável tanto física quanto moralmente. Ou, de forma educada teria dito aos “agressores”: “Senhores, isso é tão indelicado”. Acredite, uma palavra doce pode quebrar as pernas de um possível agressor. E o que ela fez mesmo? Uma careta, que intencionalmente,pela foto, a fez ficar com cara de deficiente física e intelectual. Vamos analisar calmante o “argumento” da moça? Querendo quebrar um paradigma, ela reforçou outro. Talvez, um até pior. Aquele de que mulher feia e fora dos padrões não é desejada, admirada ou comível. Débora não lutou por ela e nem pelos direitos das mulheres. Ela fez um gracejo juvenil com um possível defeito de outro ser humano. Que por sinal, tem aspirações, sonhos e frustrações como todos os outros, sendo os mesmos bonitos ou não. Já imaginou quantos pais, mães, namorados e até os próprios deficientes ( físicos ou intelectuais) ficaram sentidos com a gracinha dela? Disso ninguém fala, talvez nem percebam, ou seja simplesmente irrelevante. Ela fez uma careta, mas poderia ter ficado “vesga”, ter estufado a barriga pra ficar gordinha, ou passado terra na cara pra ficar “encardidinha”, bagunçado o cabelo pra ficar “alternativinha”, ou mudado o padrão de voz pra ficar “sapataozinha”. E nessa do “inha”, o que era uma luta contra um esteriótipo virou um reforço aos outros. E sabe qual o mais engraçado? É que pra ser “feministinha” vale tudo. Inclusive ir completamente contra os verdadeiros princípios do feminismo. Virou a briguinha da menininha que pode tudo. Porque as menininhas são poderosas, que mexem, rebolam e afrontam as fogosas. E os fogosos também. E que fique bem claro. Débora só quis aparecer, assim como várias outras que postam esse tipo de coisa. Postar na rede social que foi elogiada e desejada rende de 3 a 5 comentários de amigos. Dizer que foi constrangida por machos indomáveis e cheios de testosterona, faz um texto se viralizar. Essa é a diferença. O nível de atenção é outro. E o que ela queria era isso. Esse assunto virou o novo preto. O que Débora relatou é lugar comum para toda mulher normal. E, pelo próprio relato da mesma, não houve nada de fora do padrão no acontecido. Ela não foi violentada nem emocional e muito menos fisicamente. Se ela tivesse a maturidade que a vida traz para quem se permite crescer, teria achado graça, rido e entrado na brincadeira. Porque o que aconteceu, foi sim, uma brincadeira. E, cara Juliana, não sou nada preconceituosa, muito pelo contrário, defendo as mulheres, defendo as minorias. E, principalmente, defendo quem tem o que falar. Não sou movida por modinhas, sou movida por fatos. Isso é o que diferencia mulheres de mulheres de verdade.

  6. Caramba, em que mundo Deborah vive? Esse mundo no qual agressores se recolhem ao ser chamados de indelicados, no qual ela realmente acredita que homens e mulheres são igualitariamente tratados pela sociedade?

    Quero morar lá, pq aqui tá uma bosta.
    Aqui o meu trabalho vale menos do que o trabalho de um homem, aqui eu não posso andar sozinha na rua sem medo, aqui eu não consigo andar de ônibus ou metrô lotado sem que me assediem, aqui eu não tenho o poder da palavra numa reunião profissional pq eu sou mulher e “mulher leva tudo pro emocional”, aqui eu sou maltratada na hora de parir pq “na hora de fazer foi bom, agora aguenta a dor”, aqui eu estou sujeita a um padrão impossível de beleza que só serve para satisfazer a vontade volátil dos machos, aqui eu sou agredida pelo homem e quando chego na delegacia, o policial me manda voltar pra casa pq eu só tive “uma briguinha de casal” entre muitas outras coisas.

    Mas pelo menos no meu mundo o feminismo é uma teoria social e uma prática diária de milhares de mulheres que lutam por si e por outras mulheres.

    Inclusive praquelas que falam besteiras como essas aqui de cima. E esperando que um dia a ficha caia e elas percebam que a luta é de todas e que feminismo não é modinha.

    Abraço.

    1. A luta é de todas… e de todos! <3
      Concordo com tudo!
      Beijos,
      Gabi

  7. Raquel, vivo na Terra, assim como você. O caso de Débora não tem ligação alguma com agressão, mas sim, com vaidade e carência afetiva. Como ELA mesma relatou, o que houve foi um gracejo masculino. Assim como no caso da Juliana, desconheço sua vida pessoa e profissional. Mas uma coisa te digo, não é porque sua vida é problemática que a vida das outras terão que ser. Se não é respeitada, o problema é seu. Nunca em minha vida profissional o meu argumento foi desmerecido ou colocado pra lá porque sou do gênero feminino. Sabe o motivo? Eu sei me impor, sei ser ouvida, sou mulher o suficiente pra mostrar o meu trabalho e talento. Estudei, tenho uma excelente formação acadêmica. Eu lutei para ser alguém. Diferente de muitas que querem ser ouvidas só porque tem o órgão genital feminino. Alguém fez alguma gracinha? A resposta tem que ser dada na hora. Não tem acordo nisso. Não fico por aí choramingando como é difícil ser mulher. Até porque, é difícil ser mulher, homem, criança, velho, negro, gordo, anão, deficiente, careca, gago, homossexual, feio e até bonito. O mundo é assim, não só o mundo das mulheres. Dificuldades existem em todos os lugares, e em todos os mundos. O que eu tenho visto é um bando de menininha dando piti por besteira, como no caso da Débora. O que é TOTALMENTE diferente de um caso de assédio moral e físico, de um caso de estupro, de um caso de agressão física, de um caso de calúnia e difamação. Isso sim é agressão, das piores. Não se esqueça que o machismo nasce dentro do próprio lar. E, por incrível que pareça, vem das mamães, das mulheres tão lindas e adoradas, que ensinam que existem coisas para meninos e para meninas. Que ensinam e estimulam que os meninos tem que ter várias namoradinhas na escola, enquanto as meninas não podem deixar os meninos nem pegar em suas mãos. Aquelas mulheres tão incríveis, que são traídas, desrespeitadas e humilhadas pelos maridos na frente da sociedade e dos filhos e nada fazem. Aquelas que usam o clichê: “Eu me sacrifico para manter minha família”, “Continuo casada pelos meus filhos”.Sabe o motivo? Porque na época que deveriam estar estudando, construindo uma formação moral e acadêmica, sendo donas da própria vida, estavam correndo atrás de macho e fazendo filhos. Parindo crianças sem ter a menor capacidade de oferecer a elas uma vida digna. E depois querem falar de feminismo e dos direitos das mulheres. Mulher só tem direito, não é mesmo? Dever que é bom. A maiorias das mulheres não se respeita e depois querem ser respeitadas. Querem ter vidinha boa, mas não querem ser autoras desse enredo. Querem ganhar bem, mas não querem estudar. Querem casar com homem rico, mas não querem ser ricas pela própria capacidade. Ou seja, a questão do feminismo só entra quando as interessam de alguma forma. Aprendi desde muito cedo a diferença entre ser mulher e ser mulher de verdade, a diferença entre ser genitora e ser mãe. Algumas trabalham, levam sustento para casa, muitas vezes até sustentam seus machos. Mas na hora de dividir as tarefas domésticas acham que isso não é coisa de homem, ou são ignoradas pelos parceiros e preferem deixar pra lá para não causar “desordem” na família. A mulher maravilhosa da rua acaba não passando de uma escrava vagabunda dentro do próprio lar. Se não tiver marido ou se separar, a vida acaba, não é mesmo? O que é uma mulher largada nesse mundo? Desculpe, mas isso não é feminismo, é comodismo. Muitas das que reclamam da vida e se dizem guerreiras e batalhadoras, na verdade, não fizeram nada por si mesmas. Preferem viver de clichês como “É tão difícil ser mulher”, “A mulher é a rainha do lar”, “Mulheres são tão guerreiras”, “Eu já aguentei tanta coisa pra manter minha família”. Reclamam, reclamam, reclamam. Não conseguem ter voz ativa, mudar a realidade dentro da própria família e acham que mudarão a realidade do mundo. Quer ter discurso de uma mulher de verdade? Seja uma mulher de verdade.

    1. Oi Deborah,
      Não sei nem o que te dizer. Estou incrédula com o seu ponto de vista, sobretudo por você ser mulher.
      Achar que se incomodar com cantadas é carência para mim é paradoxal.
      Sempre fiquei muito constrangida com as cantadas, nunca compartilhava com ninguém sobre isso, talvez minhas amigas e só. Demorei muitos anos para conseguir falar abertamente sobre o quanto isso me incomodava. E já me incomodava antes de redes sociais e afins.
      Aliás, só consigo falar abertamente sobre isso hoje por causa de depoimentos como o da Débora.
      Se é uma ofensa a deficientes físicos, é um caso a se pensar… Não vejo desta forma.
      Mas não é só porque eu não sofro as consequências diretas de um comportamento nocivo que eu vou virar as costas para o problema.
      Que bom que o machismo não te afeta… Mas você é uma exceção.
      O problema da Raquel é um problema de todos nós. Homens e mulheres.
      Beijos,
      Gabi

  8. Olha, frequento assiduamente uma série de blogs, mas nunca comento por preguiça e sinceramente detesto redes sociais e o mimimi que elas geram, sendo que a grande maioria é uma pessoa no teclado e outra na garganta. Mas agora sou obrigada a dar meus parabéns para a Deborah. Não sei se ela também é do sul e aqui realmente vivemos em outro mundo, mas digo que não sofro nenhuma humilhação por ser mulher. Bem pelo contrário, apesar do meu marido ser engenheiro, ele está desempregado e eu estou em um ótimo momento em minha carreira, sendo a responsável pelo sustento da casa. Não sou modelo, não tenho problema físico, estético ou psicológico, nem padrinho político, muito menos venho de família rica. Sou uma mulher comum que conquistou seu espaço e sempre tive muita garganta e garra. Quando recebo uma buzinada, um “oh lá em casa”, ou seja lá qual cantada tosca, apenas ignoro e sigo meu caminho, qual a violência disto? Saber que está bonita? Chamou a atenção? Confesso que nunca fui perseguida nem ‘apalpada’ de maneira vexatória (mas na balada e no ônibus é meio inevitável até para nós mulheres não encostarmos em alguém sem querer, já tive episódios em que foi necessário rir da atrapalhada ou pedir mil perdões pelo erro, até porque não é nossa a culpa de uma freada brusca ou um corredor socado). Mas quando a questão parte para o físico ou gera ameaça, isso sim se torna realmente grave e digna de comoção, mas acho que não é bem esse o foco da questão exposta acima, pois aí entraríamos não apenas no enfoque do sexo oposto, mas do aparato da polícia e da própria sociedade. Como contrapeso cito a Lei Maria da Penha que também é utilizada para chantagear, tirar marido de casa e colocar o Ricardão no lugar, alienação parental… ou seja, muitas mulheres também tentam justamente se favorecer em razão do gênero, isto não é uma exclusiva do macho. Minha convicção é de que não precisamos tentar nos equiparar aos homens porque realmente somos diferentes em alguns aspectos e semelhantes em outros, mas isto não quer dizer que alguém é superior. Agora o jargão utilizado pelo feminismo só reforça ainda mais essa ideia de superioridade e não de respeitar as semelhanças e diferenças. Tem muita mulher que já entrou em um processo de autovitimização e nem percebeu.

    1. Oi Cristina!
      Tudo bem?
      Não sei onde você viu esta definição de feminismo, mas temos visões bem diferentes sobre o tema.
      Sugiro pesquisar um pouco mais a respeito, porque foi assim que descobri a diferença entre cada discurso. Tem muita gente pregando coisa errada em ambos os lados.
      Eu realmente detesto que façam qualquer tipo de comentário sobre o meu físico na rua.
      Tente imaginar sua filha de 13/14 anos tendo que ouvir comentários de cunho sexual de desconhecidos na rua e talvez a gente compartilhe a mesma repulsa.
      Espero do fundo do coração que no Sul as mulheres sejam mesmo tão respeitadas quanto você é… De resto não quero ser igual a homem nenhum, apenas ter os mesmos direitos e deveres. :)
      Obrigada por compartilhar o seu ponto de vista.
      Sempre enriquece o debate!
      Beijos,
      Gabi

  9. Talvez esteja incrédula por não ter a experiência de vida, acadêmica e moral que tenho. O seu texto original já prova isso. Isso não é problema, é apenas um caminho não percorrido em sua vida. Não há nada que prove tamanha carência do que se fazer de sofrida e vítima em redes sociais por algo tão estúpido como esse. Fui muito, muito clara em todos os meus argumentos. Como não entendeu, o problema realmente é da sua jovialidade perceptiva.
    Não sou uma mulher, sou uma MULHER DE VERDADE. São coisas muito diferentes. Ser mulher de verdade envolve lutas, sofrimento, amadurecimento e entendimento das coisas da vida. Não é apenas achar que o mundo tem que ser como eu sonho só porque tenho uma vagina. Inclusive citei outros casos, é só ler. Engraçado que diz que levou muitos anos pra falar abertamente sobre isso com as pessoas e: “Desde os 13-14 anos eu já andava na rua respondendo pervertido, sem nenhuma finesse. Era libertador xingar essas pessoas inconvenientes e retribuir o constrangimento.” . Analisando friamente, foi mais fácil agir como uma adolescente sem limites, agredir verbalmente estranhos do sexo masculino, com muito mais força física, que desabafar com pessoas que amava e que te amavam? Isso sim é paradoxal, jovem. Só reforça a imaturidade que tinha e ainda tem. Visto que logo depois afirma que mudou porque hoje tem medo de ser agredida. Ou seja, seu comportamento não é fruto de amadurecimento, mas sim de medo. Não entendeu que isso não resolveria, apenas tem medo de levar umas “pancadas”. Sabe quantas mulheres foram agredidas física e verdadeiramente constrangidas para que a senhorita tivesse direito ao que tem hoje? Para que tivesse o direito de postar textinho de apoio a uma adolescente tosca que faz caretinhas porque se acha tão linda e atraente que fica constrangida com o assédio? Pois é, deveria estudar. E nem digo que mais, porque o mais apenas reforça algo que já fora feito. Se as mulheres de antigamente seguissem sua linha de raciocínio, usando medo como escudo e não como arma, até hoje estaríamos usando saiotes, sendo vendidas pelos nossos pais, parindo dezenas de filhos, apanhando de marido, seríamos um NADA. As “insanas” que lutavam por direitos iguais e respeito continuam a ser chamadas de “insanas” hoje. Sabe o motivo? É mais fácil reclamar do que foi conquistado pelos outros do que conquistar com o próprio suor. O caso de Débora não é referência para ninguém, apenas para adolescentes ( cronológica e/ou psicologicamente). Para fugir de um esteriótipo ela julgou, humilhou e desmereceu outros. Valorizando assim o seu passe. Você não ve como forma de ofensa só porque não é esse contexto que abriga a sua vaidade de opinião, por isso tanto faz como tanto fez. Respeito o direito de opinião dos outros até o limite que eles usam dores alheais para defender suas teses. Qualquer ser humano pode sim, ser atraente. Não sofro com preconceitos não é porque sou “iluminada” ou faço a careta do dentinho pra ficar como coelhinha. Eu sou respeitada por ser mulher de verdade, por ter lutado pelas coisas que quis, por ter abdicado, por ter embargos para apresentar. Tudo isso muda até a postura como uma pessoa anda, faz com que a mesma seja segura de si, que saiba que é tão normal ser desejada como odiada. Faz parte do show das poderosas. Mulher de verdade não tem medinho de atrair olhares, de saber que é atraente em todos os sentidos, inclusive sexualmente. Ela sabe que quando isso deixa ser gracejo e vira assédio e agressão, o lugar destino é delegacia, não redes sociais. Cade a força feminina da Débora? Ela tinha capacidade de tirar fotinha de dentinho e não de gravar o assédio? Consegue ver a diferença entre mulher e mulher de verdade? Não adianta se fazer de coitadinha, tentar enganar, poliéster NUNCA será zibeline. Entendedores entenderão. E se acha que o que aconteceu com a Débora é algo tão sério assim, porque assim como ela, usou de gracinhas no seu texto? Porque escreveu que é “ A melhor tática contra as cantadas até hoje? É melhor que delegacia? . OU será que realmente “ Já estava quase comprando uma pistola de água para ensinar um pouquinho de educação para os meninos”. Débora e você levaram o assunto na brincadeira. Com assunto sério não se brinca. Seria muito mais fácil escrever um post sério, com argumentos inteligentes, com convites a reflexão. Se brincar, um convite a uma manifestação pelos direitos femininos. O problema é que nada disso aconteceu. Até porque esse caso é natimorto.
    Jamais retificarei o que tem e deve ser ratificado. Por isso, ratifico aqui: A mulher que sofreu algum tipo de VIOLÊNCIA verbal ou física não tem o direito de procurar justiça. Ela tem o DEVER de fazê-lo. Ela tem o dever de ser exemplo para outras gerações. Se todas mulheres fossem mulheres de verdade, esse assunto sequer seria discutido em 2015. Se ainda tiverem dúvidas a respeito das minhas opiniões, releiam calmamente tudo que fora abordado por mim desde as primeiras mensagens. De qualquer forma, estarei sempre aqui para debater.
    Beijos,
    Deborah, a que não quer ser homem, muito menos coelhinha.

  10. Ótima iniciativa!
    Sofro há anos, desde a adolescência, ouvindo calada tantos comentários grosseiros de homens na rua. É realmente uma falta de respeito com a mulher. Dá a impressão que eu não tenho direito de ir e vir na rua sem ser incomodada, sem ser constrangida. Curioso é que, quando estou acompanhada do meu marido, não ouço gracinha nenhuma… Se fosse “admiração”, “elogio”, qual o problema de meu marido ouvir?… Os “valentes” querem mesmo é constranger, intimidar, “colocar a mulher no seu lugar”… Triste isso em pleno ano de 2015!… Parece que estamos na idade média!!! Nunca comentei com ninguém. Hoje também não comento com amigas, nem em redes sociais… Nas redes sociais, tem muita gente que tem preguiça de se colocar no lugar do outro e realmente se esforçar em entender a dor do outro. Por isso, me calo e não falo nada para ninguém. Há muita incompreensão de homens machistas e espantosamente de mulheres também!!! (Aliás essas mulheres que NÃO entendem, são as mulheres que são mães de crianças, que estão educando os homens de amanhã. Disso eu tenho medo!!! Até quando vamos reproduzir isso?) Aliás, hoje em dia só desabafo com meu marido, que é um homem maravilhoso. Só ele me entende, não me julga, não me condena por um erro que definitivamente NÃO é meu. Sabe, às vezes, tenho tanto receio de sair sozinha na rua, que estou pesquisando alternativas para sair em paz, sem precisar ouvir tantas palavras grosseiras. Já comprei umas roupas bem largonas, compridas para ver se me deixam em paz. Eu brinco que preciso me “fantasiar” de burca (tem que rir pra não chorar…) Comprei roupas com uns 3 manequins maiores que o meu. Quase simulando roupa de grávida… Porque sério, os estúpidos me enchem o saco mesmo quando coloco calça jeans larga e camiseta larga. O que essa roupa tem de sexy? Por isso, reforço a minha tese que a intenção destes caras idiotas é constranger, não é admiração, não é elogio… Então, agora tenho 2 armários: um é de roupas para sair com meu marido (quando me sinto segura e à vontade para ir e vir pela rua) e outro é de roupas para sair sozinha (quando os estúpidos se sentem à vontade para me constranger). Ridículo isso, né? Mas foi a forma que estou estudando para caminhar em paz na rua. Concordo com o discurso de que, mesmo se a mulher estivesse pelada na rua, ela deveria ser respeitada porque ela não é um pedaço de carne. Mas, não procurar formas de me proteger, de me “esconder”, seria o equivalente a dizer: “o ladrão é que está errado por isso não vou colocar grades na minha casa, nem alarmes. Ele, o ladrão, é que NÃO pode roubar, não é eu que preciso me cercar em casa.” Isso funcionaria num mundo ideal, né? Mas não funciona no mundo real. Isso é muito triste porque tanta gente trata essa questão com desdém ou, pior, tanta gente que não entende (e nem faz esforço para entender) a real aflição de quem passa por isso. Sério, eu só acredito que as coisas podem mudar com a postura corajosa de dar a cara a tapa como fez a moça mineira e, PRINCIPALMENTE, a educação que estamos dando para as nossas crianças (os adultos de amanhã). Porque, na boa, esses caras estúpidos e grosseiros que eu encontro nas ruas não vão mudar a sua postura nem com multa, nem com prisão. Parabéns, meninas, pelo post e por tocar nesse assunto tão importante! Bjs,

    1. Oi Maria!
      Fiquei comovida e um tanto abalada com o seu depoimento…
      Você precisou chegar ao ponto de mudar metade do seu armário (para pior) para ter respeito nas ruas e nem assim o teve.
      É assustador. Fico chateada de ver que você precisou mudar toda a sua postura na tentativa de se sentir segura.
      Já eu prefiro o confronto como o da menina do post. Um passivo-agressivo, rs.
      Eu fico com a sensação de que eu tenho que fazer alguma coisa. A sensação de impotência é muito ruim.
      Mas concordo que na prática eu acho que as coisas só mudarão educando as próximas gerações.
      Nossos filhos serão diferentes! :)
      Obrigada por seu depoimento!
      Beijos,
      Gabi

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