mar 06, 2018 | Por Mandy em Reflexão, Saúde, Starving recomenda

Num caso de amor pelo coletor menstrual!

Tem 5 meses que eu parei de tomar pílula e comecei a usar o coletor menstrual como uma forma de conhecer melhor o meu corpo e poupá-lo dos danos que os anticoncepcionais orais causam, assim como os impactos negativos que os absorventes internos e externos trazem para nós e para o meio ambiente.

A ideia de usar o copinho já estava me martelando há um tempo, mas por achar que era uma “coisa de outro mundo” fui adiando, adiando… Nenhuma amiga minha tinha usado e não tinha lido muito a respeito ainda. Até que em uma dessas feiras coletivas de marcas independentes, conheci uma moça que vendia produtos naturais como pasta de dente, desodorante, shampoo e, entre outras coisas, coletor menstrual. Em um papo de menos de 10 minutos eu já fui convencida por ela e comprei meu coletor. Confesso que foi um mix de ansiedade e apreensão pela próxima menstruação, rs.

No início foi realmente diferente, como toda novidade que inserimos (nesse caso, literalmente, rs) na nossa vida. Não sei se foi sorte de iniciante, mas logo me acostumei. Nos primeiros dias usei junto a calcinha absorvente da Pantys, com medo de ter algum tipo de vazamento – o que é normal no início, já que pode demorar um tempo até acostumarmos a colocar o copinho da maneira correta. Aliás, existem algumas dobras para colocar o coletor, mas eu acho em “U” mais fácil e prático.

Como o coletor é feito de silicone, é super maleável. Depois de inserido ele expande dentro da vagina (faz tipo “PÁ!”- é engraçado), criando um vácuo que impede que ele se mova e que ocorram possíveis vazamentos – se acontecer ou tiver incomodando, provavelmente não foi colocado da maneira correta (devemos inserir na direção das costas, aka do c* mesmo, rs). A mulher que me vendeu me aconselhou a cortar um pouco o cabinho do copo. É realmente comprido e pode, em alguns casos, incomodar. Na verdade, eu nem uso o cabo para remover o copo. Como temos que tirar o vácuo para ele poder sair, o ideal é dar uma amassadinha na base do coletor para que o ar saia e a gente consiga puxá-lo. Falando assim parece ser algo complicado, mas juro que não é!

Pra mim, o melhor de tudo é a sensação de liberdade. Ela é gigantesca com o coletor! A única preocupação que eu tenho é de lembrar que estou com ele e que tenho que tirar e lavar a cada 12 horas (e esterilizar na água fervente depois de cada ciclo). Você realmente esquece que está menstruada!

No carnaval, no dia do Pérola da Guanabara em Paquetá, eu estava no meu dia de maior fluxo. Coloquei o coletor e a calcinha da Pantys junto só para garantir que nada desse errado. Fui pro Céu na Terra de manhã, no Pérola na hora do almoço e depois, à tarde, passei na casa de uma amiga para dar aquela recarregada para seguir a maratona e aproveitei para limpá-lo e colocá-lo novamente. Tudo certo, tudo lindo! Aliás, esse tem sido um combo ótimo: coletor e calcinha absorvente. Acabo usando os 2 juntos nessas situações tipo “fluxo intenso + carnaval” (acho que essa é mais uma preocupação de iniciante mesmo, porque você pode sair plantando bananeira de cabeça pra baixo que não vai vazar) ou uso a calcinha só no primeiro e no último dia da menstruação e o coletor nos demais.

Eu fiquei TÃO feliz e empolgada quando comecei a usar que tentei convencer várias amigas a darem uma chance também. Sabe quando você pensa: “como que eu vivi tanto tempo sem isso na minha vida?!”. Foi daquelas coisas maravilhosas que você faz por você mesma de tempos em tempos. Acho que por isso que resolvi escrever este post.

Mas é curioso pensar que somente de uns anos pra cá que começamos a realmente descobrir o que é um coletor e a considerá-lo uma opção real. Claro que muitas mulheres já usam há anos, mas nunca foi tão falado e, mesmo assim, ainda existe muita resistência. E você fica mais surpresa ainda quando descobre que ele foi inventado uma uma mulher ginecologista, Leona Chalmers, lá em 1937! Ela aperfeiçoou e patenteou a ideia, que vinha sendo estudada por outras pessoas desde 1867. Infelizmente, por causa da falta de matéria-prima depois da Segunda Guerra e com a dificuldade das mulheres aceitarem a ideia de introduzir um objeto em seus corpos na época, o produto não vingou e só lá pelos anos 2000 que ele começou a ser indicado por médicos, depois que a borracha foi substituída por silicone.

Bom, existem vários tipos e marcas diferentes. Eu estou usando o da InCiclo (tamanho B, para mulheres que ainda não tiveram filhos), que custa em média R$80. Pode parecer um investimento alto no início, mas fazendo os cálculos a longo prazo, é muito mais econômico e sustentável! Sem contar que não deixa cheiro, é muito mais higiênico e saudável, já que não estamos em contato com o nosso sangue na área externa – o sangue em contato com o oxigênio pode proliferar bactérias e causar infecções.

Além de tudo isso, a gente passa a ter uma outra relação com o nosso ciclo menstrual. Passamos a entender que o nosso sangue não é nojento e que menstruação não é esse problema que as propagandas de absorvente pregam. É tudo tão mais natural e prático. Ainda percebemos o quanto a gente realmente menstrua, já que os absorventes internos e externos tendem a expandir e aí parece que a gente sangra muito mais do que a realidade.

Tem outras marcas legais por aí. Além da InCiclo (que está com promoção de 2 por 1 pro Dia da Mulher!), descobri a Korui, que ainda tem um blog lindo e cheio de informação bacana! Eles também têm protetor de calcinha e absorvente reutilizável! O site Vai de Copinho também tem opções legais! Ainda existem os coletores descartáveis (vi esse da Prudence) que prometem ser possível ter relações sexuais enquanto estiver usando o coletor. Interessante, rs…

Vocês também amam? Ou tiveram experiências ruins? Alguém ainda tem receio?! Eu fiquei tão realizada com o coletor que resolvi compartilhar a minha satisfação porque amaria que outras mulheres pudessem se sentir tão livres assim também! rs… <3

Beijos,
Mandy

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Comentários
  1. Milena • mar 06, 2018 - 08:42

    kkkkkkkkkk me enxerguei no seu texto! No dia que comprei fiquei pensando: “Vem menstruação, veeeeeeeeeeeem que quero lhe usar, coletor!”

    MELHOR INVENÇÃO DA VIDA!!!!!!!! CLARO que só poderia ter sido inventado por uma MULHER, que GÊNIA! Sempre falo que, se pudesse, queria dar um abraço apertado e agradecer de joelhos à inventora do coletor kkkkkkkk Graças a você, agora sei quem foi! (embora não imaginava que fosse inventado há tanto tempo) =O

    Eu recomendo pra todas as mulheres que conheço…no início tinha vontade de parar as mulheres na rua pra fazer propaganda, juro!!! Já convenci várias a usar!
    Infelizmente muitas ainda têm preconceito…no meu trabalho fui julgada e me olharam torto, sabe?! Pois eu tratei de falar as maravilhas do coletor e deixei, pelo menos, algumas mulheres intrigadas rsrsrs Quem sabe esse preconceito não se torna curiosidade e elas resolvam testar, né?!

    • Mandy • mar 12, 2018 - 18:50

      Milenaaaa, amei achar alguém tão empolgada quanto eu! hahaha
      Eu também saio recomendando pra todo mundo, rs…
      Tomara que cada vez mais as mulheres fiquem curiosas para experimentar, porque muda a vida, né?!
      Beijos!! <3

  2. Cristiana Rebouças • mar 06, 2018 - 19:11

    Eu tenho o copinho, mas não consegui me adaptar, acho que tem a ver com a questão de ter utero baixo, mas não quero desistir dele, ainda vou fazer mais algumas tentativas. Por enquanto estou usando a calcinha absorvente.

    • Mandy • mar 12, 2018 - 18:14

      Oi, amore!! Então, lá no grupo das meninas do F-uti uma das meninas comentou isso e recomendaram ela virar o copo do avesso. Parece que depois disso deu certo pra ela! Vai que é uma! :)
      Beijos!!

  3. FERNANDA LUCENA • mar 07, 2018 - 09:19

    Oi mandy

    Eu tô loucaaaaaaaaaa pra comprar o meu!
    Inclusive o post de hj é uma wishlist do ano e meu copinho tá incluído!
    Hehehehehehe

    Bjooooos

    • Mandy • mar 12, 2018 - 18:13

      Hahaha, vai fundo! Testa e depois me conta! Pra mim foi a melhor coisa dos últimos tempos, rs…
      Beijos! <3

  4. Thaila Carolina • abr 17, 2018 - 16:40

    Realmente sentimos um pouco de receio com tudo que é novo. Mas depois que nos adaptamos é outra vida.

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