o tempo das coisas

Tem 8 meses que me mudei. Já tive experiências morando fora da casa da minha mãe, mas nunca sozinha. Sempre sonhei ter um espaço só…

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Tem 8 meses que me mudei. Já tive experiências morando fora da casa da minha mãe, mas nunca sozinha. Sempre sonhei ter um espaço só meu, do meu jeito, com meu gosto e bem no estilo “minha casa, minhas regras”, rs.

Esse processo de pensar na decoração, de quais cores pintar as paredes, de como organizar os objetos que já faziam parte da minha vida, agora em um novo espaço, e de o que este espaço me trará de novo é muito prazeroso pra mim. Novos objetos, novas histórias, novos momentos,…

Ter feito a minha mudança em meio à pandemia acabou me trazendo outras perspectivas sobre o lar e sobre habitar. Percebi que a pressa para ter tudo pronto logo, todos os cômodos decorados em tempo recorde, nunca faria sentido pra mim. Primeiro que não teria nem tempo e nem grana para fazer tudo de uma vez. Segundo, que nunca vi graça em acelerar esse processo.

Pressa de quê? Pra quê?

Já me questionaram algumas vezes no Instagram coisas do tipo: “mostra tudo logo”, “nossa, ainda não terminou de pintar a sala?”, “e a décor do quarto?” ou “faz logo a tour do apê!“. Gosto de pensar que os objetos, as coisas, os cômodos, vão tomando forma aos poucos. Gosto de sentir como eles vão ficando ao invés de fazer tudo de uma vez – e talvez até me arrepender de alguma escolha. (E caso me arrependa, também não tem problema. Nada é imutável quando estamos falando de decoração, né?).

Gosto de ter a sensação de uma pequena conquista por vez. Cada coisa nova na casa já é motivo para comemorar e curtir o ambiente de uma maneira diferente. Seja uma cômoda, um quadro, uma cor na parede ou até uma plantinha. São várias mini felicidades diluídas em vários meses, rs.

E por que eu acredito que este processo mais lento, no seu tempo, tem sido tão importante pra mim desde que me mudei? Percebi que são exatamente essas mini conquistas que têm marcado o tempo na minha vida neste último ano. Por conta da pandemia e praticamente o tempo todo dentro de casa, sem eventos sociais, carnaval, aniversários, encontros, viagens, tudo que a minha vida tinha antes de março de 2020, os meus marcos de tempo são praticamente todos baseados no que está ao meu redor: minha casa. Se eu não tivesse essas pequenas conquistas e mudanças ao longo desses meses, ficaria difícil olhar para trás e medir o tempo e seus acontecimentos.

O tempo vivido

Jean-Louis Servan-Schreiber, jornalista francês, escreveu A Arte do Tempo, em 1983. Para ele, o tempo é, basicamente, dividido em três dimensões filosóficas: o tempo natural (o do relógio), o tempo social (das nossas interações com as pessoas) e o tempo vivido, que não é medido segundo convenções da física ou pela quantidade de pessoas que nos relacionamos. É nesta dimensão onde guardamos as coisas que realmente importam, como nossos hobbies, nossas atividades preferidas, as pessoas que mais amamos,… O meu tempo vivido, por exemplo, tem girado em torno de mim, do meu namorado, meu cachorro e da minha casa. Dos meus trabalhos manuais, meus #diys, meu trabalho… o meu tempo vivido é a minha casa.

O que acontece nela e todas as mudanças de décor, são a minha referência de tempo. Quando me toquei disso, aí mesmo que me desliguei dessa pressa que nos é imposta diariamente, principalmente por conta das redes sociais.

Aliás, que saudades de escrever mais neste espaço. Será que, no seu tempo, eu me animo para aparecer mais por aqui? Tem gente lá no Twitter apostando na volta dos blogs por conta e todas as mudanças acontecendo no Instagram. Confesso que sinto falta deste conteúdo mais desacelerado da época dos blogs e do tempo que as coisas tinham.

E você? Como tem vivido o seu tempo vivido?

Até mais.
Beijos,
Mandy

5 comentários

  1. Que texto lindo, sensível e cheio de abraços. A pressa tá tirando da gente essa coisa que ir vivendo cada pedacinho de uma das coisas. Isso de que tem que ser tudo pra ontem vai mimado toda a beleza de se construir pequenas alegrias.

    1. nossa, karina… é exatamente isso: a pressa está nos tirando a beleza de viver e apreciar as pequenas alegrias.
      fico feliz que tenha gostado do texto! <3
      beijos,
      mandy

  2. eu amei o post, mandy. e sinto a mesma coisa que vc. também me mudei na pandemia e sinto que minha casa me ajuda a manter a sanidade nesses tempos de isolamento e desafios da pandemia. que bom que, apesar de todo o caos desse período, aprendemos alguma coisa: como aproveitar o tempo com nós mesmas e cuidar e nutrir nossos espaços :))

    1. com certeza, karolss! eu sempre fui muito caseira, mesmo tendo uma vida social agitada antes da pandemia, sempre curti muito estar sozinha em casa, rs… e com a pandemia consegui dar mais valor ainda a isso e ao meu novo espaço. <3
      ah, e adorei saber que gostou do post! <3 me animei pra voltar a escrever mais por aqui!

      beijos,
      mandy

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